Pular para o conteúdo
Lucra RN
Contas e Cartões

Como sair do rotativo do cartão de crédito em 2026: passo a passo

Neste artigo (7 tópicos)
  1. O que é o rotativo e por que ele é tão caro
  2. O teto de juros: a dívida não pode passar do dobro
  3. Passo a passo para sair do rotativo
  4. Parcelar a fatura ou fazer empréstimo?
  5. Desenrola 3.0: o que se sabe
  6. Perguntas frequentes sobre o rotativo do cartão
  7. Resumo

Para sair do rotativo do cartão de crédito, o caminho é trocar essa dívida por outra mais barata o quanto antes: parcelar a fatura, pegar um empréstimo com juros menores ou levar a dívida para outro banco, de graça, pela portabilidade. O rotativo é um dos créditos mais caros do Brasil: em fevereiro de 2026 a taxa média chegou a 435,9% ao ano, segundo o Banco Central. A boa notícia é que, desde janeiro de 2024, os juros e encargos dessa dívida não podem passar do valor original (informação atualizada em outubro de 2026).

O que é o rotativo e por que ele é tão caro

O rotativo começa quando você paga menos que o valor total da fatura, por exemplo o pagamento mínimo. O que ficou faltando vira um empréstimo automático do banco, com juros altíssimos, que aparecem na fatura seguinte.

Pela regra do Banco Central, o rotativo dura no máximo 30 dias, até o vencimento da próxima fatura. Se você não quitar, o banco transforma o saldo em parcelamento, que também tem juros, mas menores.

Modalidade Taxa média para pessoas (fevereiro de 2026)
Cartão de crédito rotativo 435,9% ao ano
Parcelamento da fatura do cartão 200,2% ao ano
Crédito livre para pessoas, média geral 62% ao ano

Fonte: Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central.

O teto de juros: a dívida não pode passar do dobro

A Lei nº 14.690/2023 (a lei do Desenrola) criou um limite para o rotativo e para o parcelamento da fatura: o total cobrado de juros e encargos não pode ser maior que o valor original da dívida. O limite vale para dívidas feitas a partir de 3 de janeiro de 2024.

Na prática: se você ficou devendo R$ 1.000 no rotativo, o banco pode cobrar no máximo R$ 1.000 de juros e encargos. A dívida total não passa de R$ 2.000, mesmo que você demore a pagar.

O teto não diminui a taxa de juros. Ele só impede que a dívida cresça sem fim. Por isso, esperar continua sendo caro: você pode acabar pagando o dobro do que gastou.

Passo a passo para sair do rotativo

  1. Pare de usar o cartão até resolver a dívida. Cada compra nova aumenta a fatura e o problema.
  2. Veja quanto deve de verdade. No aplicativo do banco, confira o saldo total, a taxa do rotativo e a taxa do parcelamento oferecido. Para ver as dívidas em todos os bancos de uma vez, use o Registrato, do Banco Central, que é gratuito e funciona com a conta gov.br.
  3. Pague tudo, se puder. Se tiver dinheiro guardado, quitar a fatura inteira é o caminho mais barato. Guardar dinheiro rendendo menos de 15% ao ano enquanto paga mais de 400% no cartão não compensa.
  4. Se não der para pagar tudo, troque por uma dívida mais barata. Compare o parcelamento da fatura com um empréstimo pessoal ou consignado. O consignado (descontado no salário ou no benefício do INSS) costuma ter juros bem menores que o cartão.
  5. Peça a portabilidade. Desde julho de 2024, dá para levar a dívida do cartão para outro banco que ofereça juros menores, sem pagar nada pela transferência. Peça a proposta no banco novo; ele cuida da troca com o banco antigo.
  6. Negocie se a dívida já atrasou. Procure o banco ou os canais de renegociação, como o Serasa Limpa Nome, e peça desconto para pagar à vista ou parcelado.
  7. Ajuste o limite do cartão para um valor que caiba no seu salário, para não voltar ao rotativo.

📌 Leia também: Consignado INSS 2026 — taxas e regras do crédito descontado no benefício | Como aumentar o score do Serasa — o que fazer depois de quitar a dívida

Parcelar a fatura ou fazer empréstimo?

Compare sempre o Custo Efetivo Total (CET), que soma juros, tarifas e seguros. O banco é obrigado a informar o CET antes de você fechar qualquer crédito.

  • Parcelamento da fatura: é o mais fácil, sai no próprio aplicativo, mas a taxa média foi de 200,2% ao ano em fevereiro de 2026.
  • Empréstimo pessoal: pode sair mais barato, dependendo do banco e do seu histórico. Compare o CET de pelo menos dois bancos.
  • Consignado: para quem tem carteira assinada, aposentadoria ou benefício do INSS, costuma ser a opção de juros mais baixos, porque a parcela é descontada direto do pagamento.

Atenção: desconfie de quem promete "limpar a dívida do cartão" mediante pagamento antecipado ou pede a senha do aplicativo do banco. Renegociação de verdade é feita no próprio banco, no Serasa Limpa Nome ou em canais oficiais.

Desenrola 3.0: o que se sabe

Em setembro de 2026, a Medida Provisória nº 1.393 criou o Desenrola 3.0, em que a União pode comprar carteiras de dívidas atrasadas de pessoas físicas para que sejam renegociadas com desconto ou parcelamento. As regras para o consumidor ainda dependem de regulamentação. Veja os critérios da MP no guia como limpar o nome e negociar dívidas. Até 19 de outubro de 2026, não havia um canal aberto para o consumidor aderir.

Perguntas frequentes sobre o rotativo do cartão

Quanto tempo posso ficar no rotativo?

No máximo 30 dias, até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco precisa transformar o saldo em parcelamento ou outra forma de pagamento.

Os juros do rotativo têm limite?

Sim. Desde 3 de janeiro de 2024, pela Lei nº 14.690/2023, a soma de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não pode passar do valor original da dívida. Uma dívida de R$ 500, por exemplo, não pode virar mais que R$ 1.000.

Pagar o mínimo da fatura é bom negócio?

Não. Pagar o mínimo joga o resto da fatura no rotativo, com juros acima de 400% ao ano. Só faça isso em emergência e troque a dívida por uma mais barata no mês seguinte.

Posso levar a dívida do cartão para outro banco?

Sim. Desde julho de 2024 existe a portabilidade da dívida do cartão de crédito. O banco novo quita a dívida no antigo, e você passa a pagar no novo, com juros menores. A transferência é gratuita.

Resumo

Para sair do rotativo, pare de usar o cartão, pague o máximo possível e troque o saldo por uma dívida mais barata: parcelamento, empréstimo pessoal, consignado ou portabilidade para outro banco. O teto da Lei nº 14.690/2023 impede que a dívida passe do dobro, mas os juros continuam altos, então quanto antes você agir, menos paga.

📚 Fontes consultadas: Planalto — Lei nº 14.690/2023, art. 28 | Agência Brasil — Juros do cartão de crédito pesam mais para famílias em fevereiro | Banco Central — O que é o crédito rotativo do cartão | Banco Central — Registrato

Compartilhe:WhatsAppX
Gustavo Oliveira

✍️ Sobre o autor

Gustavo Oliveira é potiguar de Natal e criador do Lucra RN. Tem experiência prática com trabalho e renda, MEI, benefícios sociais, finanças pessoais e internet, e escreve para ajudar o nordestino a entender seus direitos e organizar o próprio dinheiro com informação clara, confiável e sem enrolação.

Conheça o autor e veja todos os posts →

Leia também